Ivermectina e COVID-19 (coronavírus): Perguntas e Respostas, por Fábio F. B. de Queiroz

 Em Saúde

ivermectina coronavirusRápida Introdução

Um estudo publicado pela universidade de Mosha, na Austrália, mostrou que a Ivermectina In Vitro foi capaz de inibir a replicação do novo coronavírus, causador da COVID-19 (SARS-CoV-2).

 

Link do estudo: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166354220302011

 

Até ai tudo bem, mas o que é um estudo In Vitro?

De forma muito resumida é quando células, geralmente não humanas, são infectadas com um agente causador de uma doença/patologia em um tubo de ensaio ou placa de vidro e sobre esse é aplicado uma substância que está sendo testada e, após isso, é feita a análise se houve ou não efeito, qual efeito e o estado das células infectadas após a aplicação.

 

Por que a Ivermectina foi testada?

No atual quadro da pandemia que vivemos centenas de medicamentos/drogas já existentes estão sendo testados na tentativa de encontrar um caminho mais curto e como a Ivermectina se mostrou eficaz In Vitro para outras doenças Virais, de Vírus similares (Dengue, HIV, etc.), ao que causa a COVID-19 nada mais natural que fazer esses testes.

 

Certo, mas como ela “mataria” o Vírus?

Não se tem certeza de como ocorre a ação antiviral da Ivermectina. Existem suspeitas, mas este mecanismo ainda não está elucidado.

 

E como funciona a Ivermectina para matar infecções parasitarias?

A Ivermectina atua no sistema nervoso central de vermes e parasitas levando a paralisia muscular.

 

Qual a dose Geralmente Recomendada “para doenças causadas por vermes e parasitas”?

Seu uso recomendado em Humanos é de 200 microgramas/quilo sendo comumente utilizado em dose única.

Exemplo: Um adulto de 80 Kg tomaria uma dose única de até 16 mg (miligramas).

 

Ela é segura? Tem reações adversas?

Nas doses usuais citadas a Ivermectina é bem segura e seu uso tem poucas reações adversas e contra indicações, sendo as principais:

 

Contra Indicações:

Pacientes com meningite ou outras afecções do sistema nervoso central que possam deixar a barreira hematoencefálica mais sensível e permeável devido aos efeitos que pode causar no sistema nervoso central (Receptores GABA-érgicos do cérebro).

Também não deve ser usado por crianças com menos de 15 Kg ou menores de 5 anos e sua segurança na gestação não foi avaliada.

 

Reações adversas mais comuns:

Tontura, sonolência, vertigem, tremor, prurido, erupções e urticária (coceiras pelo corpo).

 

Ela tem interação com outros medicamentos?

Não há estudos que apontem interações com outros medicamentos até o momento.

 

Ela pode ser tóxica?

Sim, como todo medicamento ela pode ser tóxica. Em ratos houve toxicidade importante em doses únicas de 40 a 50 mg/kg e existe pelo menos um relato de dose tóxica em humanos após 15 dias de uso concomitante da dose de 150 mcg/kg diários com surgimento de encefalopatia, cegueira bilateral e obinubilação (impressão de ver objetos através de uma nuvem/neblina).

Link do artigo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5579453/

 

Existe hoje algum uso “reconhecido” no mundo para a Ivermectina de forma profilática para alguma doença?

Não. O uso que existe em países com regiões endêmicas de Oncocercose (cegueira dos rios) e Filariose (Elefantíase) não é exatamente profilático, possuindo um objetivo muito maior que é a erradicação dessas doenças. Tanto na África como em diversas outras regiões (inclusive no Brasil), esse uso foi considerado tão revolucionário e impactante na saúde pública que levou os criadores da Ivermectina a ganhar o prêmio Nobel de Medicina em 2015.

 

Existem estudos do uso da Ivermectina para tratar a COVID-19 (coronavírus)?

Existem diversos estudos em andamento para o uso da Ivermectina no tratamento da COVID-19, a maioria baseado no teste IN VITRO da Mosha Univesity. No Brasil, o estudo mais conhecido é coordenado pela Fiocruz, o ensaio clínico Solidarity (Solidariedade) da OMS, que testa a Ivermerctina e diversas outras drogas já existentes para o tratamento da COVID-19.

Link da Notícia do Lançamento do Solidarity Brasil:  https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-lidera-no-brasil-ensaio-clinico-solidarity-solidariedade-da-oms

 

A Ivermectina pode ser usada como profilaxia da COVID-19?

Não existe nenhum estudo que aponte isso e a resposta é, provavelmente, NÃO.

O sucesso da Ivermectina na erradicação da Filariose (Elefantíase) e da Oncocercose (cegueira dos rios), como citado, não se deve a uma profilaxia, mas sim ao seu uso maciço na população da região em “dose única de 150 mcg a 200 mcg/kg”, repetido de acordo com o reaparecimento da doença nas regiões endêmicas com monitoramento constante pelos serviços de saúde dessas áreas. Esse tipo de tratamento funciona, pois são doenças que possuem um vetor, ou seja, são transmitidos por um mosquito que deve picar alguém infectado e picar outra pessoa não infectada para fazer a transmissão da doença. Não havendo doentes que ao serem picados mantenham o ciclo, o mesmo se quebra.

Além disso as doses usadas no estudo da Mosha University que conseguiram inibir a replicação do SARS-CoV-2 foram de 15 mcg/MOL que convertida para uma dose em humanos seria cerca de 600 mg/kg, ou seja, 17 vezes maior do que a dose tóxica em ratos.

Outra consideração importante é o tempo de meia vida, tempo que uma droga leva para ser excretada pela metade por nosso organismo. Esse tempo da Ivermectina é de 22 a 28 horas, ou seja, as doses disponíveis para uso hoje no mercado farmacêutico estarão indetectáveis entre 7 e 9 dias.

Recente estudo, ainda em análise antes dessa publicação, feito no Brasil pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP em parceria com colaboradores de outras universidades do Brasil (UFMG e Unifesp), com doses próximas as usuais, demonstrou incapacidade da Ivermectina e de outras drogas antiparasitárias de inibirem a replicação do SARS-CoV-2.

Link para visualizar a pesquisa (ainda não publicada e disponível para contestação): https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.07.09.196337v2

 

Se eu quiser usar nas doses recomendadas por conta própria, posso?

Não! Você não deve usar nenhum medicamento de prescrição médica sem passar por uma recomendação médica, e esse é o caso da Ivermectina. Somente o médico poderá avaliar se você poderá ou deverá fazer uso e após o uso deverá ser acompanhado por ele e por um farmacêutico(a).

 

Considerações finais e opinião do Autor:

Os maiores riscos de usar a Ivermectina sob os “protocolos” que têm sido amplamente divulgados não estão, ao meu ver, ligados as doses ou as contraindicações e reações adversas dos mesmos – lembrando que existem –, mas sim ao paciente que faz uso sentir uma falsa sensação de segurança e, futuramente, se provando um produto eficaz no tratamento da COVID-19, podemos perder ela como opção terapêutica  por mutações ou seleção viral que levem a resistência do SARS-CoV-2.

Não se automedique. Converse com um médico e, precisando, esclareça suas dúvidas sobre medicamentos falando sempre com um farmacêutico ou médico.

 

Fábio Francisco Baptista de Queiroz

Farmacêutico

CRF-Pr 12996

Dermo Manipulações
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